segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Desnorte


Inês Pedrosa é uma jornalista sobejamente conhecida do grande público e já com vasta obra literária editada. 
Este livro é composto por vários contos em que a sensação geral é de desnorte, como o título indica, de perda e de abismo. Os pormenores a que a autora dá destaque fazem a diferença num livro que se lê com prazer.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Um Copo de Cólera


Raduan Nassar foi o prémio Camões 2016 e um pouco à boleia desse prémio decidi lê-lo pela primeira vez.

Este livro, originalmente publicado em 1978, é uma novela em que o início nos traz uma paixão entre dois amantes que rapidamente se transforma numa guerra de palavras. O retrato de uma luta entre um casal mas que também é uma guerra de classes. 
Livro bem pequeno mas muito expressivo e poderoso.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Moonlight Mile


Dennis Lehane é um nome sobejamente conhecido de quem gosta de políciais. Vários dos seus livros já foram adaptados ao cinema e lê-lo é sempre um prazer. Os protagonistas são Patrick Kenzie e Angie Gennaro, um casal de detetives que doze anos depois se vêem a braços com o novo desaparecimento de Amanda McCready, sendo, portanto, este livro uma sequela de Gone, baby, gone.
Num cenário de atualidade-a crise do imobiliário, a importância das tecnologias, a crise social são bem retratadas; os personagens têm profundidade, os diálogos são verosímeis e o autor prende-nos desde a primeira linha.
Sem dúvida um dos grandes nomes do policial dos nossos tempos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Crónicas de uma Pequena Ilha


Editado originalmente em 1995 e agora editado pela Bertrand Editora, este livro não pode ser considerado de grande atualidade. No entanto, e por razões várias a sua leitura impôs-se-me. Bill Bryson é um autor de quem já li vários livros e cuja escrita despretensiosa e informativa é sempre agradável.
Neste caso a ilha de que se trata é a Grã-Bretanha ( Inglaterra, País de Gales e Escócia). Numa viagem de 7 semanas e antes do seu regresso aos Estados Unidos, de onde é originário, o autor percorre toda a Grã-Bretanha e decide fazê-lo apenas (ou quase) em transportes públicos. Começando pelo sul e terminando no Yorkshire, onde reside, vamos descobrindo monumentos, zonas balneares, cidades importantes e alguns lugares recônditos da preferência do viajante.
Escrito com o humor habitual em Bill Bryson este livro é um retrato pessoal da Grã-Bretanha e dos seus habitantes. Uma viagem que se recomenda.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Afirma Pereira


Um dos livros mais conhecidos de Antonio Tabucchi este Afirma Pereira é um romance político. Pereira é um jornalista que é diretor da página cultural de um jornal no conturbado ano de 1938. Numa altura em que a Europa vive várias convulsões políticas e sociais, Pereira vê-se limitado na sua veia cultural por questões que o ultrapassam e de forma inocente vê-se envolvido num caso de subversão. A braços com um momento pessoal de indefinição como irá o jornalista ultrapassar os problemas que lhe surgem?
Um livro de escrita fluída, em que as questões políticas são centrais e em que a decisão de como reagir perante as dificuldades é crucial.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Os Jardins de Kensington


Quando peguei neste livro não tinha noção do seu conteúdo e como tal, não fazia ideia do que me aguardava. Desde já esclareço que a surpresa foi extremamente agradável, mais uma vez.
Há no mundo milhões de fãs de Peter Pan, mas quantos desses fãs têm conhecimento das circunstâncias do "nascimento" deste personagem? Neste livro Rodrigo Fresán começa por nos levar à Escócia Natal de J.M.Barrie, o criador de Peter Pan e à época Vitoriana.  Mas Jardins de Kensington não é apenas uma biografia romanceada deste escritor, é também um retrato dos anos 60 em Inglaterra e do meio musical da época. É um tributo aos Beatles- e em especial destaque a música A Day in Life, e é ainda a história de Peter Hook, filho desse mesmo meio musical Londrino e obcecado por J.M. Barrie.
É um hino à infância que não é idílica mas sim vista como uma prisão da qual não conseguimos libertar-nos.
Um livro diferente mas imperdível.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Sombra do Vento


Doze anos após a sua primeira edição e depois de várias leituras de outros títulos deste autor chegou agora a hora de ler este best seller internacional A Sombra do Vento.
Como nos surge na página 192 esta é uma história "De livros malditos, do homem que os escreveu, de uma personagem que se escapou das páginas de um romance para o queimar, de uma traição e de uma amizade perdida. É uma história de amor de ódio e dos sonhos que vivem na sombra do vento." Tudo isto num cenário de uma Barcelona feiticeira, ainda que muito marcada pela guerra civil, de leitura compulsiva tem todos os ingredientes necessários para justificar o sucesso atingido. Uma leitura que nos prende, com suspense q.b. e uma evidente paixão por livros.

sábado, 17 de setembro de 2016

Não se Pode Morar nos Olhos de um Gato



O segundo romance de Ana Margarida de Carvalho mantém-se fiel à sua estreia no que à qualidade da escrita diz respeito.
Um barco negreiro naufraga e os sobreviventes vêem-se encurralados num canto de praia onde o melhor e o pior de cada um vem ao de cima. 
O peso que as nossas vivências têm no nosso presente, a violência psicológica e física vivida pelos náufragos e a nossa capacidade de adaptação às circunstâncias da vida são alguns dos temas em destaque, servidos por uma escrita de grande violência mas também muito poética.

domingo, 4 de setembro de 2016

O Coronel Chabert



Honoré de Balzac foi um dos grandes nomes da literatura mundial e qualquer leitura deste autor nos transporta para a sua época e para a sociedade onde se movimentou. Aqui trata-se da história do Coronel Chabert que é declarado morto aquando de uma batalha na Prússia durante as invasões Napoleónicas. Na sequência do seu suposto falecimento a esposa casa-se com um jovem com potencial político e, quando passados vários anos, e após muito sofrimento, o coronel regressa a Paris descobre que foi apagado como marido e cidadão. Na sequência deste desaparecimento decide lutar pelos seus direitos e para isso conta com o apoio do advogado Derville. 
Retrato de sociedade, ou não se tratasse de um livro de Balzac, acompanhamos o que de melhor e de pior a natureza humana consegue. A atualidade mantém-se como sempre nas grandes obras.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Jogador



Dostoiévski é sempre uma leitura ímpar. Este pequeno O Jogador é, mais uma vez, um grande livro. O jovem narrador conta-nos a sua experiência de vida ao passar de preceptor de uma família Russa com algum renome mas completamente falida, a jogador compulsivo. Como é habitual nos livros deste autor, os personagens são retratados de forma exímia e os seus defeitos e virtudes elevados ao expoente máximo. Não há personagens "secundários", todos os intervenientes são analisados ao pormenor e essa análise incide, como sempre, nos sentimentos exacerbados, no descontrolo e na incapacidade de tomar as próprias vidas em mãos. Em resumo o retrato de uma sociedade à deriva, à imagem destes personagens.  Mais uma pérola.